Av. da República, 61
064-808
LISBOA
N/
Refª 010/2009
V/
Refª
Data: Porto,
2009/01/14
ASSUNTO:
SITUAÇÃO ACTUAL DOS PROFISSIONAIS
DA CARREIRA DE
TÉCNICO DE DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICA
Conforme combinado com V. Ex.a na reunião convocada pela Senhora
Ministra da Saúde a este Sindicato, realizada em 07/01/09, vimos por este meio
enviar um Memorando que consubstancia a gravíssima situação vivenciada pelos
profissionais que representamos.
Ora, somos Carreira de Corpos Especiais da Saúde, não revista
desde 1999, apesar de Acta assinada com o Governo da sua imperiosa revisão em
2000 e das várias tentativas, desde então, para a sua revisão, que por motivos
alheios a este Sindicato nunca tiveram conclusão.
Assim, no decorrer deste ciclo de 9 anos, fomos confrontados com
diversa legislação, quer nos modelos de gestão hospitalar, quer revisão de leis
laborais, as quais nunca modernizaram nem tão pouco se adequaram à Carreira
existente.
Assistimos, assim, a uma consistente desregulamentação e caos
interpretativo que levou as diversas Administrações a adiar procedimentos
concursais, não se aplicando na íntegra o estabelecido na Carreira, em prejuízo
absoluto dos direitos dos profissionais à progressão e reconhecimento do
mérito.
Assim, a regra foi a não abertura de concursos de acesso, a não
efectivação de Avaliação do Desempenho, o não reconhecimento institucional dos
Conselhos Técnicos com todas as consequências que estes maus procedimentos
acarretaram.
A actual reforma da Administração Pública veio agravar a confusão
existente e como ficou provado na nossa reunião, a situação, neste momento,
exige da parte do Ministério da Saúde uma acção concertada visando suprir a
espécie de vazio legal existente no sector.
A saber:
Descongelamento de escalões desde 1 de Janeiro de 2008, data a partir
da qual não existem constrangimentos às progressões na Carreira dos Técnicos de
Diagnóstico e Terapêutica.
No entanto, as Administrações Hospitalares respondem aos
profissionais que estão à espera de indicações superiores para proceder ao
descongelamento, fazendo-o depender, na sua interpretação, dos resultados do
SIADAP. Ora, a Avaliação do Desempenho de acordo com o estabelecido no SIADAP
não se aplica aos Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, não podendo ser
imputada ao Sindicato qualquer responsabilidade por esse facto, uma vez que o
Governo não negociou, atempadamente, esta matéria.
Por outro lado, não havendo regras para a abertura de concursos de
acesso para progressão na Carreira, que se irão prolongar até à entrada em vigor
da nova Carreira em discussão, o atraso para o preenchimento das vagas
existentes nas várias categorias e que em 2004 (segundo estudo do próprio
Ministério da Saúde) já apontava para uma antiguidade média de 9 anos, resultou
num agravamento drástico e, actualmente, tal atraso já ronda em cerca de 14
anos.
Resulta, assim, que devido à inércia quase generalizada das
instituições, no que diz respeito a estes profissionais no sentido da sua
progressão, solicitamos orientação do Ministério para a abertura de todas as
vagas existentes nos quadros das instituições, minimizando, assim, o prejuízo
acumulado deste ciclo de 9 anos que tanto nos penalizam.
Em conclusão, é nosso entendimento e “ponto de honra”, que só após a
regularização em toda a sua extensão e alcance, com efectivo descongelamento dos
escalões e progressões de acesso
dos profissionais, se poderá processar à transposição para a nova Carreira,
segundo as regras que vierem a ser acordadas.
Com os melhores cumprimentos.
José Edgar Valente Loureiro
Presidente"